Há medida que o tempo passa a vida encurta-se até ficar um pavio curto, um traço. A consciência da finitude alcança-nos. Agora somos o tremor da vela...
Aos poucos vai o sonho regredindo,
A vida esmorece, fica num limbo.
Ficas passivo nos dias que vêm vindo,
Sem certezas, sem dogmas, sem ideias.
Ascende o tempo como fumo de cachimbo,
Leve solta-se e vai e não fica a meias!
Já não sabes quem és, o que queres ser,
Porque tudo o que te aguarda é morrer.
O horizonte alcança-se de um passo,
Olhas para trás, a vida reduzida a um traço,
Uma insignificância, um instante!
Suspenso de um tremor, vives o restante.
Sabes que só sobra a dor, nada permanece,
Uma saudade antecipada do que se esquece.
Moves-te lento, arrependido de ter corrido,
Que a meta é coisa que não presta.
Insanidade, tolice, tempo perdido,
É no final tudo que me resta!








