Às vezes vou pelas ruas por onde não quero passar,
Mas tenho esta tendência de me atormentar.
Passar outra vez, pelas ruas onde podia ter sido feliz,
Mas é sempre a mesma coisa, nada conseguir por um triz!
E sempre ficar a obra inacabada,
Com o “quase tudo!” a dar em nada!
Às vezes respiro o ar das mesmas ruas,
Nesse ar poluído, onde sonho mulheres nuas!
E onde afinal sempre respiro sozinho,
Mesmo que seja no meio do campo, o caminho!
Ou sopre o vento junto à praia, em nortada
Tempestade em minha mente, um tormento,
Onde respirar faz doer, é um sofrimento!
Às vezes vejo-me a sonhar, quem dera fora a dormir!
Porque aí não ia doer e de manhã acabaria a esquecer.
Ás vezes vou pelas ruas onde não queria ir...
Ás vezes não me importava de ter asas e voar!
Na vertigem do voo, a respiração reter,
Acreditar que sou capaz de ser amado e amar,
Sem ser a dormir, nem no sono a sonhar!
Às vezes já não quero dormir,
Nas ruas por onde me forço a ir!
A ter que sufocar, para não doer,
Deixar de dormir para esquecer,
Parar de respirar no meio da nortada!
Não, não vou por-me a acreditar,
No amor e no amar,
Para mim, já não são nada!
Não quero ir por esse caminho escuro,
Que fica aí depois do verão!
Não espreitar por cima do muro
Do lado do jardim, onde as folhas caem e te abandonei!
Não quero essa rua, esses passos, andar em vão
Porque fiquei assim, nem eu o sei!
Procurei nessas ruas escuras e sufocantes, por mim.
E não me encontrei, deixemos a coisa assim.
Não quero o ar desse caminho que abandono,
O vento que nas minhas asas deixo e reponho,
Para ficar só com a vertigem e sem o sonho!
Foto de Darwin Vegher na Unsplash







