SEM SAÍDA



Esperam até a estrada acabar? São uns optimistas! Nunca pensamos que a estrada acabe, pois não? Sim, às vezes ficas encurralado entre uma saída dolorosa e saída nenhuma! Não importa nada, se ficares quieto. Podes tentar disfarçar-te de rocha, ou meter-te debaixo dela, vale o mesmo. Afinal nenhuma saída, pode ser uma coisa boa...


Pela boa razão
Suportar a provocação
Ficar parado
Sossegado
Serenar
Querer cuidar
Ou entrar
Na brincadeira
Não há maneira
De acertar
Ao feitio do teu sorriso
Talvez
Desta vez
Seja um aviso
De que nesta vida
Como uma embriaguez
Sem vinho
Às vezes o caminho,
É sem saída!


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CAMINHOS



Entre o ontem e o amanhã, fica todo o presente de permeio, a ocupar todo o tempo. Às vezes chega o tempo dos dias cinzentos, que nos fazem olhar para trás e perguntar se valeu a pena. Ou se continuar faz sentido. Às vezes tudo o que dava sentido, à tua vida, rumou para outro Norte. Ou talvez seja o mapa que mudou...


Sou dos tais,
Que sonha demais!
Chegou finalmente o dia,
Em que já não sonho mais.
Os caminhos por onde seguia,
Tu já não vais...



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TANGO





Nada mais sensual e apaixonado do que um tango a dois. Corpos colados em movimentos lentos e sensuais. A rosa vermelha, o fogo. Pernas que se entrelaçam, como a vida dos enamorados. Terás noção da saudade que deixa um tango? E a saudade de um tango que poderia ter sido e nunca foi? Acho que "Don't cry for me Argentina" se bem que noutro contexto, poderia adaptar-se para "Don't cry for me Tango"...

Oh! Eu canto o amor que podia ter sido...
O desejo de comer o fruto apetecido!
Mas canto a ausência que em mim fica;
Nesta saudade grande, que me mortifica!
Sim, sonhei em ser feliz!
Onde falhei, o que não fiz?
A doce saudade do teu beijo...
O coração a palpitar em forte desejo!
Mas foi só isso nada mais.
Agora recuas, na tentação já não cais.
E perguntas como se nada fosse: E depois?
Respondo: Dançaríamos o tango, só nós dois!






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PÁSSARO À CHUVA


Para onde vão todos os pássaros quando chove? Para que recanto secreto do mundo se recolhem? Em que árvore de frondosa e densa folhagem buscam abrigo? Por voar, penso que sou pássaro...Mas desconheço o lugar onde se abrigam... E tu? Também és pássaro à procura de abrigo? Ou o frio tolheu-te e já perdeste a vontade de voar? Se não queres mais voar, para que precisas das asas?



Sou um pássaro à chuva tocada a vento
Cabisbaixo espero que passe este tempo
Encontrar uma nesga uma aberta
Que esta vida é um sufoco que aperta!

Está frio porque é inverno ao que parece
Mas esquecem que todos os anos é assim
E aos poucos o fruto da alegria fenece
Nesta chuva que me magoa só a mim

Pássaro quieto que não pode voar
Sonhos todos idos no vento frio
Vontade primaveril de cantar
Esgar de saudade, com que sorrio

Deixa-me ficar mudo e quieto
Até a tempestade passar
Deixa que o coração irrequieto
Desaprenda de palpitar

No meio do bando passo por vez
Desânimo que o passar do tempo fez
E não importa já se faz frio e chove
Porque ao meu voar, já nada o move!


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Girar


Dizem que esta roda onde giramos feito loucos, a tentar encontrar-lhe sentido, é o círculo da vida. Mas deve ser um círculo inacabado, porque no fim não recomeça. Ou então sou eu que tonto de girar, me esqueci das vezes que já findei e recomecei. Não importa. As coisas colossais acabam sempre por vencer a nossa vontade...



Há um cansaço
Madraço
Em meus braços
Laços
Que já não prendem
Mãos vazias segurando nada
Coisas que se subentendem
Nesta vida tão danada
Queria uma coisa linda
Sempre bem-vinda
Alguma alegria
Em cada dia
Uma canção
Ou uma dança
Desabrochar de paixão
Ou uma esperança
Mas tudo o que me sobra
É uma inacabada obra
Este cansaço que me dobra
Até me vergar
À vontade das coisas colossais
Que fazem girar o mundo
Até no fundo,
Eu não girar mais…



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Quando parte...






Não sei se era para ser assim, que o amor sempre acabasse numa partida, mesmo quando nenhum dos amantes quer partir. Não sei se isso é resultado de o Universo ter sido construído sobre alguma matriz sádica, perversa. Não sei se o amor é a bóia que nos mantém à tona no naufrágio existencial. Sinceramente não sei nada, excepto uma única coisa: Dói quando parte...




Já fui em tempos idos,
Mais do que sou agora.
Sonhos perdidos,
Nesta demora,
Passar do tempo,
Num desalento!
Desabafo para não sufocar;
Pobre de mim por amar!
Quisera eu ser capaz,
De alcançar a paz,
De um amor de verdade,
Para alcançar a felicidade!
Quisera eu ser forte,
Aturar tortura em refinada arte,
Mas o amor é como a morte,
Dói tanto quando parte…





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Ausência


Às vezes todos os caminhos, todas as escadas para o cimo ou os amparos, têm um sabor a sal... Um imenso mar salgado, que é sempre o teu destino. Onde amargas e tens frio, ou onde te afogas! Porquê o deslumbramento do horizonte há-de ter esse maléfico feitiço? Já não sei, já não quero saber... Queria apenas arrancar esta craca do meu peito, que o enche de uma saudade que dói.



Há os lugares cheios de ti
Ausência que me leva ao sufoco
Perfume teu que não esqueci
Saudade que me põe louco

Diz que não foste embora
E que é hoje e agora
Que o milagre vai acontecer
E o que devia tem de ser

Que o Universo se verga
E finalmente enxerga
A força deste amor
Que não merece dor

E não muda nada…
No jardim, a flor fenece,
Oportunidade uma vez dada
Dor que fica e não se esquece


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Niilismo





Às vezes os pés pesam-te como chumbo e queres ficar onde estás, não ir para nenhum lugar? E depois visitam-te as obrigações quotidianas, as responsabilidades que fomos acumulando com os anos? Uma espécie de bagagem, feita de memórias. Para alguns a medida do seu sucesso, para outros a medida da sua estagnação, dos sonhos que ficaram onde bate a rebentação, ou na espuma das ondas... Como diz o imortal Freddy Mercury, nessa imortal canção dos QUEEN, The Show Must Go On!


Quero lá saber
Tudo tem de morrer
Ou será que não?
Será eterna a paixão?
Areia que nos escapa nos dedos
Vento que nos despenteia o cabelo
E sim através de todos os medos
O amor - oh! o amor! - Ainda é belo!

Nestes ocasos quotidianos
Que alimentam o mar de enganos
Prosseguimos fingindo
E um dia tudo é findo
E não fingimos mais
Coisas tais
Que apagam o sentido
Que alguma vez tenha tido

A pantomina deve continuar
O truque é passar os genes adiante
Não importa nem amar
Basta ser amante
E haver um acidente
No mundo nova gente
O plano não é elaborado
É um destino, espécie de fado

Estou cansado
Pés que arrasto
Somos só passado
Vacas ruminantes
Em algum verde pasto
Passando por seres pensantes
Acabamos no mesmo talho
E às vezes fico sem resposta
À velha pergunta que me é posta:
-- Afinal o que é que eu valho?



Que as fortes músicas possam compensar o fraco poema.
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Chama


Onde andas que alguém precise chamar por ti? Onde te perdeste, que o céu azul tenha de te descobrir? E no entanto às vezes, andamos escondidos dos outros, porque temos medo do que somos. Coisas estranhas que se constroem, como castelos de nuvens que se desfazem no vento. Não sei quem és, mas se às vezes andaste escondido, devemos ter estado no mesmo lugar...

Devo passar por estes lugares desolados,
Velhos recantos que deviam ser apagados.
Lugares de mágoa e desencanto, onde caio.
Asa derrubada de um velho gaio

E já não sei nem lembro se fui,
Ou o que fui em tempos.
Caí, desmoronei e ruí,
Ao sabor dos ventos!

Visto estas vestes,
Tristeza e frustração,
São as minhas pestes,
A velha maldição!

E não aprendo do passado,
Angustia que me traz enredado,
Nas malhas do tempo ido,
E no fim acabo rendido.

Semblante esmorecido,
Não sei bem o que sou.
Talvez esteja adormecido!
Beija-me, chama-me, que eu vou…



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Desassossego



Já te sentiste vítima de ti próprio? Algo te inquieta e desassossega até à irritação e te leva à palavra errada, à conclusão errada, a um comportamento em que te procuras ferir, o mais próximo que se chega do suicídio. O que é isso? Donde vem? Porque surge? Sinal de frustração, de uma profunda que nasce na alma? A mesma dor que nos faz nascer? A culpa é dele, desse amor completamente alucinado...


No desassossego do que resta por dizer
Inquietude que se deita a crescer
Não sei o que se passa na tua ausência
Não tem muito de ciência
Nada de racional
Mas sinto-me mal
Uma angustia que não sei lidar
Sinto uma enorme saudade
Sinto fugir de mim a felicidade
Eu que apenas te queria amar!


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