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Desistir

Já tiveste alguma vez a sensação de que estás a mais? Que estás sempre a mais? E que não devias estar? E foi tão aguda a sensação que desejaste partir e mesmo assim os teus pés não se mexeram. E pediste que te deixassem. E deixaram... Deixando esse peito angustiantemente vazio.



Gostava de chorar por ela.
Mas não consigo.
Preciso de coração para chorar,
E ela arrancou-me do peito.
E deixou-o ao desabrigo,
Onde está a nevar!

Aos poucos já não bate,
Ela bateu.
Assim me mate,
O que antes em mim viveu.

Agora os meus passos,
Não precisam de nenhum caminho.
Foram sonhos, desenhos e traços,
Que me deixaram sozinho.

Podes largar-me a mão agora,
E deixar-me aqui à chuva.
O que espero, já não demora,
E não faz diferença,
A minha crença!
Ou se estou encharcado,
Parado;
Nesta maldita humidade.
A verdade,
É que desisti da felicidade…

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Lobos


Oh a noite! Aquele medo de deitar a cabeça no travesseiro porque me assaltam todos os lobos cinzentos, que se aconchegam ao meu corpo. Ah o frio da noite! O terrível frio de um solitário. Porque vem a noite? E porque vêm os lobos cinzentos ao meu encontro? Porque não me encontro, assim cansado e sereno para na noite apenas dormir? E porque chove? Diz-me porque chove...

O momento que se congela,
Para sempre eterno instante;
Memória que tenho dela,
Efémera, mesmo que importante!

Matilhas de lobos cinzentos,
Que me querem trincar e roer.
Aproximam-se cautelosos, lentos,
Na esperança de nos ver morrer!

À noite é difícil não chorar,
Por tudo o que tive de deixar.
Sendo tudo reduzido a cinza,
Até a esperança da sua vinda!

Oh esta dor aguda e infinita,
Tê-la conhecido bonita;
E ter de assim partir,
Quando a queria seguir!

Não é minha a boa sorte!
E agora que partiu a alegria,
Que o seu sorriso me trazia,
Deixa que me leve a morte!




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Saudade


Já sentiram essa dor doce de não terem perto quem está mais perto, juntinho ao coração? Uma dor que não nos larga, porque não a queremos largar? A dor e a alegria misturadas numa alma só, a que o génio lusitano concentrou numa palavra: saudade!
E há tantas formas de saudade... Esta é do coração.



Há um desassossego na alma branda.
Coisa como o silêncio após a tempestade.
Este caminho inquieto em que se anda,
Dor doce a que chamam de saudade!

As flores viram-se na tua direcção,
E os regatos murmuram o teu nome.
É um Sol que chamam de paixão,
Fogo ardendo que não se some!

Podem prometer-te a lua,
Tudo o que quiseres ser teu.
Sonho-te na minha cama nua,
Ser anjo, para que fiques no céu!

E se ouvires chorar as pedras do chão,
Olha à tua volta com atenção.
Porque não são as pedras não,
É por ti, a chorar, meu coração!




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Dias que choram

A Ninna Lollitta escreveu um excelente texto no seu blog (aqui) que me inspirou a escrever um poema. Mas como foi assim repentinamente, o poema saiu com algumas gralhas e por isso estou a postá-lo aqui.
Obrigado Lollitta!


Hoje chove
E a água entra
Pelas frestas da alma
Que tenta
Parar o que se move
Enquanto pode
E esta calma
O tempo está cinzento
E eu bem que tento
Que a chuva não caia
E sopra o vento
Afasta tudo no mesmo rol
E brilha o sol
E tu não estás
E rio
E faz tanto frio
Oh se faz...
(Não vás...)
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Sobre coisas importantes…


Com a idade choramos mais porque nos damos conta das coisas que são realmente importantes como o amor e os afetos..
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