Não precisa de morrer ninguém que amamos, para sentir a mesma dor. Basta que a distância seja grande, que não possas abraçá-la mais, que nunca mais sintas o seu perfume, o sabor dos seus lábios... Quando todos os bons momentos estão no passado, e por muito que ambos queiram, não pode ser. Dói. Amar dói...
Acontece... Talvez fosse o excesso de velocidade da paixão louca, em contra-mão! Talvez esse desejo incendiário nunca concretizado, não sei... O cansaço? Uma impaciência feita de frustração, que leva a partir? E ficas assim vazio no cais, sem saber para onde vais a seguir, porque simplesmente não querias ir. E tudo te diz que chegou ao fim...ou não. Talvez nem devesse ter começado, se era para acabar assim. Ou então não é nada, apenas um pesadelo que desaparece ao acordar! Certo mesmo, é que dói essa sensação de coração partido...
O meu coração, ele partiu
Antes de eu me aperceber
Batendo louco, contigo fugiu
Mas não me deixou morrer
Nos teus olhos, foi levado
Nesse azul profundo e limpo
Extasiado, qual pássaro alado
Rumo a um qualquer Olimpo
Que pássaro sou eu,
para voar no teu céu?
A tua mão sacode
Quem me acode?
Estendo as minhas asas, negras essas,
Pensei ser anjo caído, cheio de promessas
Mas pelo meu grasnar, sou apenas corvo
Um tipo só, a mais entre o povo
E tu no teu charme singular
És promessa enorme que não mereço
Sou ave das bruxas, a afugentar
Na minha sina, pereço
Se és mais feliz sem mim,
Então vai, parte assim...
Foi bom ter-te conhecido,
Mesmo que acabe de coração partido!
Em todos nós como diz a canção há lado negro. Um selvagem e brutal que às vezes nos surpreende a nós mesmos. O nosso lado animal. Confesso ter um problema. O lado negro da força que me puxa...Espelho isso em diversos poemas. Como se lida com isto?
Aceita-se e pronto? Ou encontras um sítio quente onde ficar e quais gatos, esperamos que nos acalmem com festas e acabemos ronronando?
Há um monstro que mora em mim,
E às vezes irrompe hirsuto,
Revela-se bruto assim!
É um lado escuro e tenebroso,
Que certamente não me faz orgulhoso.
Antes pelo contrário, traz receoso,
Temeroso de quando vai espilrar,
E desatar a fazer mal,
Levar-me a errar!
Chão de sal,
Onde nada pode crescer.
Verbo feito pra me arrepender.
Lado de mim maldito, irracional,
Que me lembra o meu lado animal!
Deixa que o domestique, faça serenar,
Para que nunca mais se corra o risco,
De se soltar, morder e magoar!