Sempre chega um momento em que pensamos no que a vida foi, ou ainda é. Dos amores que nos tomaram e daqueles que fomos forçados a deixar, nesta interminável caminhada feita de chegadas e partidas, como antigamente os navios. E chega o dia em que o barco que somos, já não navega mais, submerge. Talvez seja o peso de uma vida cheia...
Lembro-me do cheiro a pinheiro verde,
Do tojo a roçar-me nas pernas.
E do tempo que se escoa e perde,
Ao lembrar as memórias mais ternas.
Sei que me amaste com força nobre!
Fizeste de mim rico e tiveste de ir,
De repente fui apenas só e pobre;
Cansado veleiro, sem vontade de partir!
Nada mais resta. Espero sereno a morte;
nada presta, breve momento. E é tormento;
nem no amor, nem no jogo, tenho sorte.
E sou aquilo em que aos poucos me desfaço.
Paixão que foi contigo; num último abraço.
Ganhei raízes, andar já não consigo...
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Lembro-me do cheiro a pinheiro verde,
Do tojo a roçar-me nas pernas.
E do tempo que se escoa e perde,
Ao lembrar as memórias mais ternas.
Sei que me amaste com força nobre!
Fizeste de mim rico e tiveste de ir,
De repente fui apenas só e pobre;
Cansado veleiro, sem vontade de partir!
Nada mais resta. Espero sereno a morte;
nada presta, breve momento. E é tormento;
nem no amor, nem no jogo, tenho sorte.
E sou aquilo em que aos poucos me desfaço.
Paixão que foi contigo; num último abraço.
Ganhei raízes, andar já não consigo...




