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Cacos Partidos

Não sei se a vida conserva algum sentido. Para mim ela aconteceu de um acaso fortuito, nunca teve, nem terá sentido. A vida é apenas uma lágrima do Universo que morre de tédio. Mas ele permanece e somos nós que vamos morrendo, pouco a pouco, nos nossos sonhos, nas utopias e nos delírios. E no amor, que é apenas outra coisa tão sem sentido quanto a própria vida... O meu coração está partido e deixou escapar o que tinha dentro; estou vazio...

Coração de cacos partidos...
Dor em aumento exponencial.
Mundo do caos e da entropia.

Velhos caminhos percorridos,
Numa senda que é sempre de mal;
Onde o futuro é uma mera utopia!

Perdoai-me as palavras com que menti!
Os sonhos que embora, também meus,
Eram apenas o meu espelho, sonhos que vi.

Nem Deus, nem amor, nem antes, nem depois;
A morte é Toda-Poderosa, todos somos seus!
Perdoai-me ter-vos feito sonhar libertação!

Doi-me no peito este fraco coração...
Já não acredito em sonhos, nem na eternidade,
Sou sem esperança, nenhuma veleidade!


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Desistir

Já tiveste alguma vez a sensação de que estás a mais? Que estás sempre a mais? E que não devias estar? E foi tão aguda a sensação que desejaste partir e mesmo assim os teus pés não se mexeram. E pediste que te deixassem. E deixaram... Deixando esse peito angustiantemente vazio.



Gostava de chorar por ela.
Mas não consigo.
Preciso de coração para chorar,
E ela arrancou-me do peito.
E deixou-o ao desabrigo,
Onde está a nevar!

Aos poucos já não bate,
Ela bateu.
Assim me mate,
O que antes em mim viveu.

Agora os meus passos,
Não precisam de nenhum caminho.
Foram sonhos, desenhos e traços,
Que me deixaram sozinho.

Podes largar-me a mão agora,
E deixar-me aqui à chuva.
O que espero, já não demora,
E não faz diferença,
A minha crença!
Ou se estou encharcado,
Parado;
Nesta maldita humidade.
A verdade,
É que desisti da felicidade…

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Não vires a mesa




Voluntariamente preso. Indefeso. Só. Já te sentiste assim? Quando o teu amor parte e te deixa nu. Em que tudo o que és, o que pensas que és, sofre na pergunta: Quem sou? E não sentes nenhuma redenção, nenhum Deus para te salvar? E se antes sofrias na presença, agora sofres na ausência. E se dantes eras optimista e positivo, agora o que sentes que és? Alguém no cais? O barco partiu...




Não vires a mesa, como se fosse o fim,
Como se não houvesse nenhuma solução!
Deixa-te ficar, fá-lo por ti, fá-lo por mim.
Escuta meu amor, o teu e o meu coração.

Há para nós uma luz acima, que faz crescer,
E umas raízes que nos prendem neste chão.
Mas sem ti, para que importa mais viver?
Por favor, se fores não vás sem mim, não!

Como as lágrimas são os oceanos salgados.
E barcos ligam margens, portos e cidades.
Sou marinheiro triste, de olhos molhados,
Ainda nem foste e já estou com saudades!

Adorava libertar-te, deixar-te voar!
Mas já não posso, sou eu aprisionado,
Nesta gaiola dourada, ouvir-te a cantar.
Mesmo preso, quero ficar a teu lado!


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Saudade


Já sentiram essa dor doce de não terem perto quem está mais perto, juntinho ao coração? Uma dor que não nos larga, porque não a queremos largar? A dor e a alegria misturadas numa alma só, a que o génio lusitano concentrou numa palavra: saudade!
E há tantas formas de saudade... Esta é do coração.



Há um desassossego na alma branda.
Coisa como o silêncio após a tempestade.
Este caminho inquieto em que se anda,
Dor doce a que chamam de saudade!

As flores viram-se na tua direcção,
E os regatos murmuram o teu nome.
É um Sol que chamam de paixão,
Fogo ardendo que não se some!

Podem prometer-te a lua,
Tudo o que quiseres ser teu.
Sonho-te na minha cama nua,
Ser anjo, para que fiques no céu!

E se ouvires chorar as pedras do chão,
Olha à tua volta com atenção.
Porque não são as pedras não,
É por ti, a chorar, meu coração!




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Coração partido...


Acontece... Talvez fosse o excesso de velocidade da paixão louca, em contra-mão! Talvez esse desejo incendiário nunca concretizado, não sei... O cansaço? Uma impaciência feita de frustração, que leva a partir? E ficas assim vazio no cais, sem saber para onde vais a seguir, porque simplesmente não querias ir. E tudo te diz que chegou ao fim...ou não. Talvez nem devesse ter começado, se era para acabar assim. Ou então não é nada, apenas um pesadelo que desaparece ao acordar! Certo mesmo, é que dói essa sensação de coração partido...




O meu coração, ele partiu
Antes de eu me aperceber
Batendo louco, contigo fugiu
Mas não me deixou morrer

Nos teus olhos, foi levado
Nesse azul profundo e limpo
Extasiado, qual pássaro alado
Rumo a um qualquer Olimpo

Que pássaro sou eu,
para voar no teu céu?
A tua mão sacode
Quem me acode?

Estendo as minhas asas, negras essas,
Pensei ser anjo caído, cheio de promessas
Mas pelo meu grasnar, sou apenas corvo
Um tipo só, a mais entre o povo

E tu no teu charme singular
És promessa enorme que não mereço
Sou ave das bruxas, a afugentar
Na minha sina, pereço

Se és mais feliz sem mim,
Então vai, parte assim...
Foi bom ter-te conhecido,
Mesmo que acabe de coração partido!







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Trans

Estaremos a transformar-nos em máquinas? Será que a sociedade com a sua ênfase nos "mercados" nas "mãos invisíveis", na "produtividade" na "eficácia", não nos assemelha cada vez mais a máquinas? E será que não foi o medir tudo em valor monetário que nos foi reduzindo cada vez mais em termos de humanidade? Mas o que é a vida sem amor? Fará sentido? No fundo é a busca por ir ao teu encontro, fim de todos os encontros que adivinharam. Não importa nada a vida, se se perdeu o coração... Estarei do teu lado, em qualquer lado, em que me encontre.


Sou como um vulcão!
Tanto quero amar,
Tanto amor para dar!
Deixar livre, correr paixão,
Que me sinto a rebentar!
Pobre do meu coração,
Que tanto se quer entregar!
E é tão triste não poder...
Ter assim que me conter.
Dizem que o que faço,
É ser devasso,
Comportamento aberrante,
Demasiado moderno!
Assim como é, é sufocante!
Eu que almejava ser eterno,
Agora aqui e neste isntante;
Vencido me declaro, que o mal vença!
Já que amor desmedido,  não pode ser,
Não me faz diferença,
Não me importo de morrer...



Ela tem ciúmes do que escrevo
Diz que trago e já não levo
Que me queria encher
Fazer crescer
De expressões de amor
Diz que lhe causa dor
Ler os sentimentos
Nos meus contos
Personagens tontos
Que amam as mulheres que amei
E já não lembro, já nem sei
Onde as deixei
Porque ficaram para trás
E se é só escrita
Tanto me faz!
Mas ela fica aflita
Olhos de lágrimas a querer cair
E fico eu sem chão,
Sem lugar para onde fugir
Desta aflição
De pensar que o meu amar
A não consegue nunca alcançar!
E se ela soubesse, como tento!
Escritos, folhas deitadas ao vento
Coisas que nem sei, mas vivo a tentar
E o que não sei, apenas invento!


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