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NÃO BASTA O AMOR

Quem te abre o peito como quem abre uma ostra, tira a pérola de lá e no fim, quando não correspondes mais ao que de ti esperava ou queria, diz que estás vazio. E tem razão. Estás mesmo e mais...Muito mais... O jardim está vazio. É inverno e chove, Oh se chove! As nuvens ficam, cinzentas e pesadas, descarregando. Descarrega tudo, para depois ficares mais leve e vogar por aí, como folha no vento.


Não basta o amor
Não basta nascer a flor
Para se ter um jardim
É o mesmo para mim
Quando habita o mal entendido
Que faz do amor vagabundo perdido
Não sei o porquê desta fatalidade
Que baralha tudo até doer
Perdida oportunidade
De o fazer crescer

Desajeitado
Adolescente que ficou senil
Ser amado
Desejo varonil
Semente que não encontra campo
Idiota, que só merece tampo

Donde vem a redenção
Desta contra-natura paixão?
Talvez devas esquecer, partir
Uma réstia de nobreza
Nesse sacrifício de desistir
Enorme grandeza
Trazer assim a paz
Voto de pobreza
Mas a prece em meus lábios pede:
-- Não vás! Não vás...

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Quando parte...






Não sei se era para ser assim, que o amor sempre acabasse numa partida, mesmo quando nenhum dos amantes quer partir. Não sei se isso é resultado de o Universo ter sido construído sobre alguma matriz sádica, perversa. Não sei se o amor é a bóia que nos mantém à tona no naufrágio existencial. Sinceramente não sei nada, excepto uma única coisa: Dói quando parte...




Já fui em tempos idos,
Mais do que sou agora.
Sonhos perdidos,
Nesta demora,
Passar do tempo,
Num desalento!
Desabafo para não sufocar;
Pobre de mim por amar!
Quisera eu ser capaz,
De alcançar a paz,
De um amor de verdade,
Para alcançar a felicidade!
Quisera eu ser forte,
Aturar tortura em refinada arte,
Mas o amor é como a morte,
Dói tanto quando parte…





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