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Lobos


Oh a noite! Aquele medo de deitar a cabeça no travesseiro porque me assaltam todos os lobos cinzentos, que se aconchegam ao meu corpo. Ah o frio da noite! O terrível frio de um solitário. Porque vem a noite? E porque vêm os lobos cinzentos ao meu encontro? Porque não me encontro, assim cansado e sereno para na noite apenas dormir? E porque chove? Diz-me porque chove...

O momento que se congela,
Para sempre eterno instante;
Memória que tenho dela,
Efémera, mesmo que importante!

Matilhas de lobos cinzentos,
Que me querem trincar e roer.
Aproximam-se cautelosos, lentos,
Na esperança de nos ver morrer!

À noite é difícil não chorar,
Por tudo o que tive de deixar.
Sendo tudo reduzido a cinza,
Até a esperança da sua vinda!

Oh esta dor aguda e infinita,
Tê-la conhecido bonita;
E ter de assim partir,
Quando a queria seguir!

Não é minha a boa sorte!
E agora que partiu a alegria,
Que o seu sorriso me trazia,
Deixa que me leve a morte!




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A longa noite



Não sei se já te interrogaste sobre o sentido da vida. Talvez ainda seja cedo para te perguntares essas coisas. Usufrui enquanto tens tempo, porque possivelmente terás tempo para te interrogar sobre isso mais tarde. Em boa verdade, acho que ninguém sabe qual o sentido da vida. Mesmo os convictos. Talvez só a morte tenha sentido, já que arrasta no seu manto longo todos os que já viveram. Já pensaste nisso? Que afinal a única coisa sem sentido, seja a vida?

Sem pressa, nem vagar, a longa noite avança.
A eternidade é toda dela sem descanso.
E a humanidade está perdida nesta dança.
Segue qual rebanho sem pensar – vai manso!

E a existência é só isto e nada mais?
O intervalo entre o donde vieste e para onde vais?
Talvez a natureza seja perversa e corra,
Maldade sua, fazer-me nascer para que morra…

A vida é para sempre uma busca de perfeição.
Mas nasceste imperfeito, tens de ir embora!
Dos teus erros, outros melhores virão,
E a morte essa, tem pressa, nunca se demora…





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