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NÃO RESTA NADA


A vida aos poucos deixa-nos, como se não fossemos dela merecedores. Insistimos, permanecemos, com ela constante a tentar reenviar-nos para onde viemos: ao pó. Donde viemos e para onde vamos. Alguns dizem que o pó de que somos feitos é o mesmo pó das estrelas. Até pode ser. Mas convenhamos que é sempre um punhado de nada...

Aos poucos secam as fontes;
Os regatos deixam de cantar,
Perdidos nos vales dos montes.
E os rios meandram até sumir.
Os campos deixam de florir.
Não pode ser doutra maneira.
O sol do orgulho é uma torreira!
Do norte sopra a nortada,
Do pouco, não resta nada!




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Ausência


Às vezes todos os caminhos, todas as escadas para o cimo ou os amparos, têm um sabor a sal... Um imenso mar salgado, que é sempre o teu destino. Onde amargas e tens frio, ou onde te afogas! Porquê o deslumbramento do horizonte há-de ter esse maléfico feitiço? Já não sei, já não quero saber... Queria apenas arrancar esta craca do meu peito, que o enche de uma saudade que dói.



Há os lugares cheios de ti
Ausência que me leva ao sufoco
Perfume teu que não esqueci
Saudade que me põe louco

Diz que não foste embora
E que é hoje e agora
Que o milagre vai acontecer
E o que devia tem de ser

Que o Universo se verga
E finalmente enxerga
A força deste amor
Que não merece dor

E não muda nada…
No jardim, a flor fenece,
Oportunidade uma vez dada
Dor que fica e não se esquece


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Saudade


Já sentiram essa dor doce de não terem perto quem está mais perto, juntinho ao coração? Uma dor que não nos larga, porque não a queremos largar? A dor e a alegria misturadas numa alma só, a que o génio lusitano concentrou numa palavra: saudade!
E há tantas formas de saudade... Esta é do coração.



Há um desassossego na alma branda.
Coisa como o silêncio após a tempestade.
Este caminho inquieto em que se anda,
Dor doce a que chamam de saudade!

As flores viram-se na tua direcção,
E os regatos murmuram o teu nome.
É um Sol que chamam de paixão,
Fogo ardendo que não se some!

Podem prometer-te a lua,
Tudo o que quiseres ser teu.
Sonho-te na minha cama nua,
Ser anjo, para que fiques no céu!

E se ouvires chorar as pedras do chão,
Olha à tua volta com atenção.
Porque não são as pedras não,
É por ti, a chorar, meu coração!




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