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Esgotamento



Dou conta de um cansaço que me esgota. Um imenso cansaço que me inunda o peito e o afoga. Não é o mar, mas é um. E neste a correnteza dos dias é a torrente que me cansa, agora que esbracejo para me manter à tona dos dias. E esgotei-me. Sou um barco vazio e sem remos, levado na correnteza...

Sei de esperanças que duraram menos de uma vida,
E por isso não foram a última coisa a morrer.
Sei de amores eternos nunca consumados,
Esgotados no frenesim dos dias,
Em circunstâncias agrestes.
Sei de personalidades nunca acabadas,
Construções sempre em ruínas,
Campos de pedras, um deserto.
Hoje é o fim de todos os caminhos;
Onde o peso de tudo o que não foi,
Não nos deixa avançar mais;
Esgotada que foi a força, a esperança e o amor.






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PARTIDA






Não precisa de morrer ninguém que amamos, para sentir a mesma dor. Basta que a distância seja grande, que não possas abraçá-la mais, que nunca mais sintas o seu perfume, o sabor dos seus lábios... Quando todos os bons momentos estão no passado, e por muito que ambos queiram, não pode ser. Dói. Amar dói...



Partida

Oh a alegria da chegada!
O prazer da descoberta
Abraçar a pessoa amada
Janela aberta
Para o jardim delicioso
Onde tudo é maravilhoso
Mas nesse instante
Não nos passa pela mente
Que de repente
Tudo pode mudar
Ficar diferente

O peito outrora cheio
A bater descompassado
Possa agora esvaziado
Meter o medo de permeio
Os teus braços fortes
As mãos que agarram
Encontram outras sortes
Marinheiros que desamarram
E se dantes era tudo alegria
A verdadeira essência da vida
Chega o negro dia
Em que tudo é partida...



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NÃO BASTA O AMOR

Quem te abre o peito como quem abre uma ostra, tira a pérola de lá e no fim, quando não correspondes mais ao que de ti esperava ou queria, diz que estás vazio. E tem razão. Estás mesmo e mais...Muito mais... O jardim está vazio. É inverno e chove, Oh se chove! As nuvens ficam, cinzentas e pesadas, descarregando. Descarrega tudo, para depois ficares mais leve e vogar por aí, como folha no vento.


Não basta o amor
Não basta nascer a flor
Para se ter um jardim
É o mesmo para mim
Quando habita o mal entendido
Que faz do amor vagabundo perdido
Não sei o porquê desta fatalidade
Que baralha tudo até doer
Perdida oportunidade
De o fazer crescer

Desajeitado
Adolescente que ficou senil
Ser amado
Desejo varonil
Semente que não encontra campo
Idiota, que só merece tampo

Donde vem a redenção
Desta contra-natura paixão?
Talvez devas esquecer, partir
Uma réstia de nobreza
Nesse sacrifício de desistir
Enorme grandeza
Trazer assim a paz
Voto de pobreza
Mas a prece em meus lábios pede:
-- Não vás! Não vás...

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TANGO





Nada mais sensual e apaixonado do que um tango a dois. Corpos colados em movimentos lentos e sensuais. A rosa vermelha, o fogo. Pernas que se entrelaçam, como a vida dos enamorados. Terás noção da saudade que deixa um tango? E a saudade de um tango que poderia ter sido e nunca foi? Acho que "Don't cry for me Argentina" se bem que noutro contexto, poderia adaptar-se para "Don't cry for me Tango"...

Oh! Eu canto o amor que podia ter sido...
O desejo de comer o fruto apetecido!
Mas canto a ausência que em mim fica;
Nesta saudade grande, que me mortifica!
Sim, sonhei em ser feliz!
Onde falhei, o que não fiz?
A doce saudade do teu beijo...
O coração a palpitar em forte desejo!
Mas foi só isso nada mais.
Agora recuas, na tentação já não cais.
E perguntas como se nada fosse: E depois?
Respondo: Dançaríamos o tango, só nós dois!






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Quando parte...






Não sei se era para ser assim, que o amor sempre acabasse numa partida, mesmo quando nenhum dos amantes quer partir. Não sei se isso é resultado de o Universo ter sido construído sobre alguma matriz sádica, perversa. Não sei se o amor é a bóia que nos mantém à tona no naufrágio existencial. Sinceramente não sei nada, excepto uma única coisa: Dói quando parte...




Já fui em tempos idos,
Mais do que sou agora.
Sonhos perdidos,
Nesta demora,
Passar do tempo,
Num desalento!
Desabafo para não sufocar;
Pobre de mim por amar!
Quisera eu ser capaz,
De alcançar a paz,
De um amor de verdade,
Para alcançar a felicidade!
Quisera eu ser forte,
Aturar tortura em refinada arte,
Mas o amor é como a morte,
Dói tanto quando parte…





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Niilismo





Às vezes os pés pesam-te como chumbo e queres ficar onde estás, não ir para nenhum lugar? E depois visitam-te as obrigações quotidianas, as responsabilidades que fomos acumulando com os anos? Uma espécie de bagagem, feita de memórias. Para alguns a medida do seu sucesso, para outros a medida da sua estagnação, dos sonhos que ficaram onde bate a rebentação, ou na espuma das ondas... Como diz o imortal Freddy Mercury, nessa imortal canção dos QUEEN, The Show Must Go On!


Quero lá saber
Tudo tem de morrer
Ou será que não?
Será eterna a paixão?
Areia que nos escapa nos dedos
Vento que nos despenteia o cabelo
E sim através de todos os medos
O amor - oh! o amor! - Ainda é belo!

Nestes ocasos quotidianos
Que alimentam o mar de enganos
Prosseguimos fingindo
E um dia tudo é findo
E não fingimos mais
Coisas tais
Que apagam o sentido
Que alguma vez tenha tido

A pantomina deve continuar
O truque é passar os genes adiante
Não importa nem amar
Basta ser amante
E haver um acidente
No mundo nova gente
O plano não é elaborado
É um destino, espécie de fado

Estou cansado
Pés que arrasto
Somos só passado
Vacas ruminantes
Em algum verde pasto
Passando por seres pensantes
Acabamos no mesmo talho
E às vezes fico sem resposta
À velha pergunta que me é posta:
-- Afinal o que é que eu valho?



Que as fortes músicas possam compensar o fraco poema.
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Desassossego



Já te sentiste vítima de ti próprio? Algo te inquieta e desassossega até à irritação e te leva à palavra errada, à conclusão errada, a um comportamento em que te procuras ferir, o mais próximo que se chega do suicídio. O que é isso? Donde vem? Porque surge? Sinal de frustração, de uma profunda que nasce na alma? A mesma dor que nos faz nascer? A culpa é dele, desse amor completamente alucinado...


No desassossego do que resta por dizer
Inquietude que se deita a crescer
Não sei o que se passa na tua ausência
Não tem muito de ciência
Nada de racional
Mas sinto-me mal
Uma angustia que não sei lidar
Sinto uma enorme saudade
Sinto fugir de mim a felicidade
Eu que apenas te queria amar!


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Trans

Estaremos a transformar-nos em máquinas? Será que a sociedade com a sua ênfase nos "mercados" nas "mãos invisíveis", na "produtividade" na "eficácia", não nos assemelha cada vez mais a máquinas? E será que não foi o medir tudo em valor monetário que nos foi reduzindo cada vez mais em termos de humanidade? Mas o que é a vida sem amor? Fará sentido? No fundo é a busca por ir ao teu encontro, fim de todos os encontros que adivinharam. Não importa nada a vida, se se perdeu o coração... Estarei do teu lado, em qualquer lado, em que me encontre.


Sou como um vulcão!
Tanto quero amar,
Tanto amor para dar!
Deixar livre, correr paixão,
Que me sinto a rebentar!
Pobre do meu coração,
Que tanto se quer entregar!
E é tão triste não poder...
Ter assim que me conter.
Dizem que o que faço,
É ser devasso,
Comportamento aberrante,
Demasiado moderno!
Assim como é, é sufocante!
Eu que almejava ser eterno,
Agora aqui e neste isntante;
Vencido me declaro, que o mal vença!
Já que amor desmedido,  não pode ser,
Não me faz diferença,
Não me importo de morrer...



Ela tem ciúmes do que escrevo
Diz que trago e já não levo
Que me queria encher
Fazer crescer
De expressões de amor
Diz que lhe causa dor
Ler os sentimentos
Nos meus contos
Personagens tontos
Que amam as mulheres que amei
E já não lembro, já nem sei
Onde as deixei
Porque ficaram para trás
E se é só escrita
Tanto me faz!
Mas ela fica aflita
Olhos de lágrimas a querer cair
E fico eu sem chão,
Sem lugar para onde fugir
Desta aflição
De pensar que o meu amar
A não consegue nunca alcançar!
E se ela soubesse, como tento!
Escritos, folhas deitadas ao vento
Coisas que nem sei, mas vivo a tentar
E o que não sei, apenas invento!


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Amor sem tempo

Quem nunca se sentiu agarrado pelo amor, de uma forma tão violenta, tão urgente, que senti-lo apenas doeu? Às vezes o amor é assim, toma-nos de assalto, faz crescer a paixão até que o corpo inteiro nos doa na impossibildade de satisfazer o desejo. Não vale pena maldizê-lo. Ele não tem culpa, nem nós temos. É só que às vezes o tempo não encontra a oportunidade, como a inspiração às vezes bate, quando não temos a disposição de lhe dar fluxo. Ela tem de encontrar outro que a possa acolher. Fica um sabor amargo e doce... Outras estamos cheios de sol, e lá fora está a chover...

Era um velha carcaça
Sem brilho mais que baça
Na quietude de existir
Havias tu de surgir
Para me acordar
Fazer pensar
Que amar
Ainda era possível

Não há como fugir
Devia ter adivinhado
Que não era plausível
Estava encrustado
Na minha personalidade
De besta selvagem
Não daria felicidade
Com a menina de cidade

Mas persistimos em sonhar
Com a maravilhosa viagem
Que nos leva ao amor
Paraíso que queremos alcançar
Onde só resta dor
Porquê tentar?
Mas fomos na teimosia
Dessa busca da alegria

Perseguimos ilusões ,
Coleccionei frustrações .
Velho senil, que anda à toa.
Sonhando que a vida que não foi,
Pudesse agora tornar-se boa!
A frustração corroi,
Vai-se a sensatez.
(E já nem dói...)
E a oportunidade de ser feliz,
Não volta outra vez,
Independetemente de quem quis.

(poema veio daqui)







O amor tem pressa, não sabe esperar
Quer concretizar-se num beijo
Impaciente, ardendo em desejo
Correr ao teu encontro, te abraçar

Necessidades primaveris
Vontades varonis
Que a natureza acorda
Paixão que transborda

E olho pela janela lá fora
O Sol atrasou-se, demora
E quero-te tanto neste instante
E há nuvens, estás distante...

Há um reflexo em que me revejo
Estou triste, a ânsia por um beijo
A necessidade do teu corpo no meu
E está escuro, não vejo o céu

Sei que humedeces por mim
Nessa inquietação de querer
Tu e eu num ardente festim
Mas, hoje está a chover...

O coração é pássaro preso
Latejam as fontes neste querer
Estandarte erguido e aceso
Mas, hoje está a chover...

Hoje está a chover...

(poema veio daqui)






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Abraço, num cachecol...

Qual é a maior festa da vida? Alguns dizem que é a paternidade, mas como pode haver paternidade sem amor, sem pelo menos um pouco de paixão? Outros dizem que é a amizade, mas como pode haver amizade sem amor, amor fraternal? As alegrias desta vida, estão sempre relacionadas com relações, entre pessoas. E as relações felizes entre as pessoas, estão sempre relacionadas com o amor. Mas a maior das alegrias é o amor romântico. Às vezes um cheiro, um perfume, uma recordação...

Há música num sabor a festa
Canta em alegre sobressalto o coração
Sempre que o amor se manifesta
Como nesta platónica paixão
Denunciada em irriquieta respiração
Como quando se espevita o fogo com um fole
Fica só o perfume dela, no abraço do cachecol...

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O amor crucifica-me


Podia ser diferente... Mas não seria a mesma coisa! Sei que devia saber que o amor não quer saber dos amantes e quando os apanha torce-os com uma máquina-de-lavar até os embranquecer e purificar. O amor redime toda e qualquer vida. Transforma e transcende a pior das bestas, o mais selvagem dos animais... É por isso que os gatos apesar de arranharem, ronronam... Mas mim, marinheiro louco e apaixonado, o amor às vezes não me dá nenhum porto de abrigo...



Sou um marinheiro
E gostava de aportar
A maresia, o seu cheiro
Vontade de navegar

Queria do teu corpo fazer mar
Abrir vela, encher de vento
Queria ser teu e navegar
Teus olhos, estrelas no meu firmamento

E ao chegar a ti, ter-te toda num abraço,
Refugiar-me das tempestades, em teu regaço!
Ancorar nos teus lábios doces e macios
Deixar-me ser a água dos teus rios!

Mas… Há sempre uma nuvem negra carregada
Um gesto, ou uma palavra impensada
O fugir do furacão que chega veloz
O ficar magoado, perder a voz!

O amor crucifica-me quando me dou
Mostro o peito e vou às balas
Ela fez-me as malas
E eu vou…
 



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Folhas


Oh eu sei... Caiem as folhas no Outono, cansadas de esperar por quem não prometeu. E vai-se o Sol amornecendo... Tem de ser, é o que se pensa! Faz parte do ciclo das chegadas e partidas. Das promessas e do que foi prometido. E não se falha porque se quer, mas tem de ser, que é a lei natural. E como nada se pode fazer, aceita-se. E arde no peito, nas saudades que ficam de um tempo feliz, primaveril. Talvez seja por isso que as folhas de outono são vermelhas... e caiem, caiem, caiem até despir a árvore.

Deixa-me seguir sózinho...
...e ainda outra vez, mesmo que mais veloz, mas só!
Ou talvez nem tanto...
Isso! Uma canção...




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VOAR!


É preciso libertar para que haja vôo!
É uma luta para que a paixão não se transforme em posse.
É necessário estar disposto a perder para ganhar!
Há que passar pelo arape farpado do medo de perder. para depois ir colher rosas, os beijos nos lábios rubros d@ amante.
Tudo isso num poema...

E como não há poesia sem música, deixo-vos esta:



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Burn!

E quando o fogo da paixão, incendiado pelo amor, te esbraseia a alma? Podes resistir? E se resistes não é para te incenerar? E depois ressurgir qual fénix das suas próprias cinzas. E para quê? Para voltares a arder de novo outra vez, e outra vez ainda...

Todos precisamos de arder!
Outra vez!
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Distância

E você continua indo embora,
e eu continuo ficando,
vendo você levar partes de mim
que antes eu nem sentia falta.
(Caio Fernando Abreu)
[Com base neste mote, seguiu o poema abaixo]

Deixa lá, que as partes que levo,
São pra guardar num recanto.
Pedaços de ti que delicadamente pego,
Galeria de memórias do meu encanto.

E quando a memória acabar,
Um pedaço de ti e de mim,
Há-de ficar assim,
Em algum lugar!
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