Mostrar mensagens com a etiqueta vazio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vazio. Mostrar todas as mensagens

Mágoa II

Quem nunca ficou preso nuns olhos da cor do arco-íris que prometiam tesouro no fim? Mas os olhos, quiseram partir, ver outras coisas que não nós. E toda a gente sabe que só há arco-íris quando chove... E às vezes chove e não é para encontrar tesouro no fim do arco-íris, mas apenas para ficar na lama.

Os meus olhos em água,
São o sinal desta mágoa.
Semente daninha,
Que ficou minha.
Foi crescendo,
E eu vivendo,
A faço crescer!

Quem me dera te esquecer,
Apaziguar este vazio em mim!
Rio seco a que não consigo por fim,
Por mais que chova, eu feito nuvem,
É um negro de doer, por ti,
E por mim também...
(Cada um sabe de si!)
Eu sei que estou só,
Na secura, apenas sou pó.
E quando recordo a nossa chama,
Me transformo em lama...


LER MAIS...
 

Mágoa


Diz-se que o tempo tudo cura, mas o tempo nunca curou coisa nenhuma. O que o tempo faz é atenuar a dor. Se conseguirmos esquecer, tanto melhor; mas é sempre difícil esquecer e a mágoa torna-se lago e cresce, Seria contudo um disparate que não se deixasse doer. A dor faz também parte do enamoramento e realmente existe como contra-tempo fazendo ressaltar o que de bom se foi tendo...



Magoa-me a tua ausência.
Este forçado exílio a que me remete.
Não há ciência,
Clarividência,
Que explique este sofrimento;
A que me submete,
O teu desprezo, a todo momento!

Quem dera que eu fosse de pedra!
Raiva que em mim medra,
Dar-me todo por inteiro,
E acabar a penar nesta solidão.
Querer a tua mão,
E ficar vazio sem nada!

Quimera dourada,
Que nunca chega a acontecer!
Espaço entre viver e morrer,
Que apenas passa!
Visão baça,
Entorpecente,
Desta mágoa que me deixa doente!



LER MAIS...
 

Vazio

Há noite, perante o infinito de um céu estrelado, sempre vem acompanhado de uma náusea quase à beira do vómito, nessa angústia infinita de me saber tão pequeno no vasto Universo. Como acreditar que sejamos especiais? Talvez faça sentido neste caldeirão gigantesco, o acaso ter feito das suas e parido esta espécie, que temporariamente habita aqui, por aqui, até que...

Já não sei onde fica a cama,
Que voz me chama,
Que paixão me inflama...
Tenho a cabeça cheia de ecos,
Tonto da dança dos bonecos,
Cansado de andar aos tombos.
Ou só, tão só, sentado no jardim,
A atirar pão duro aos pombos,
Que voam para mim!

Inquietude que me alcança,
Nesta vida feita dança,
Em que dançamos sozinhos.
Múltiplos caminhos,
Que levam a lugar nenhum.
E às vezes pensávamos ser dois
Sendo que afinal, era só um.
Quarto de espelhos onde me confundo,
Depois do cansaço e da solidão,
Desejo de um sono profundo.
Tranquilo, aquietado coração,
Que mais nenhuma paixão,
Vem agora perturbar.
E se me ouvires chamar,
É apenas um eco perdido,
Que te há-de haver confundido!
E se ao andar assim sereno, ainda sorrio;
Repara no meu olhar: é como eu, vazio...


LER MAIS...