Sentiste alguma vez que és apenas um grão? Um entre muitos e que não fazes realmente muita diferença? És mais um na roda do moinho que é a vida. E o teu destino é igual aos outros, seres também moído. Não importa para quê ou o porquê, neste moinho velho, que roda e roda, na vela que gira e volta a girar. Não é preciso sentido, apenas que gire...
Nascemos do prazer e da dor
É isso mesmo o amor
Crescemos em sabedoria
No passar de cada dia
Ilusão que demora a passar
Até que no fim
Quase ao chegar
Descobrimos que não é assim...
Descobrimos que a vida
É sómente um longo desmame
Quando está de partida
Não há quem se chame
A doce mãe ausente
O pai que partiu e deixou saudade
E agora se sente
Que a vida é só uma vaidade
Uma caminhada sem sentido
Inglório esforço de chegar
E ficou o oferecido
Esse lugar
O paraíso num abraço
O lugar que chamas casa
O abrigo sob a tua asa
A quimera prometida
Do amor ardente
Sempre perdida
Sempre ausente
Solitário caminho
Cinzenta chegada
Pobre moinho
Que não mói mais nada
Já sentiste essa necessidade de ser resgatado por uns braços que apertam o teu corpo como se tivesse medo que te dissipes e possas desaparecer dali? E quantas vezes abraçaste alguém com a força de um naufrágo, porque estavas realmente a afogar-te? Ou das vezes em que um abraço é sinal de que estás em casa, na tua casa... Preciso...Não desistas...
Dás-me o lado áspero de ti
Para me desassossegar
Não sei depois porque fico aqui
Como se fosse natural
Sentir-me a naufragar
Este antigo mal
De te sentir
A me abandonar
Eu a ficar, tu a ir...
Não sei porquê assim
Não faz sentido
Se te sou tão querido
E eu quero-te sim
Para mim
Mas tu trazes o mar
No teu olhar
E ao invés de navegar
Sinto-me a mais
Lançado ao mar
Porque tu vais
Veleiro alto ao sabor do vento
Velas enfunadas
Vou perdendo o alento
Nestes pequenos nadas
Naufrago nas ondas altas
Afogo nas pequenas faltas
E onda enorme, o imenso mar
Para onde parti, e donde não sei voltar
Não sei bem o que fazer, ou o que faço
Mas sei ficava feliz, com um abraço!
Já sentiram essa dor doce de não terem perto quem está mais perto, juntinho ao coração? Uma dor que não nos larga, porque não a queremos largar? A dor e a alegria misturadas numa alma só, a que o génio lusitano concentrou numa palavra: saudade!
E há tantas formas de saudade... Esta é do coração.
Acontece... Talvez fosse o excesso de velocidade da paixão louca, em contra-mão! Talvez esse desejo incendiário nunca concretizado, não sei... O cansaço? Uma impaciência feita de frustração, que leva a partir? E ficas assim vazio no cais, sem saber para onde vais a seguir, porque simplesmente não querias ir. E tudo te diz que chegou ao fim...ou não. Talvez nem devesse ter começado, se era para acabar assim. Ou então não é nada, apenas um pesadelo que desaparece ao acordar! Certo mesmo, é que dói essa sensação de coração partido...
O meu coração, ele partiu
Antes de eu me aperceber
Batendo louco, contigo fugiu
Mas não me deixou morrer
Nos teus olhos, foi levado
Nesse azul profundo e limpo
Extasiado, qual pássaro alado
Rumo a um qualquer Olimpo
Que pássaro sou eu,
para voar no teu céu?
A tua mão sacode
Quem me acode?
Estendo as minhas asas, negras essas,
Pensei ser anjo caído, cheio de promessas
Mas pelo meu grasnar, sou apenas corvo
Um tipo só, a mais entre o povo
E tu no teu charme singular
És promessa enorme que não mereço
Sou ave das bruxas, a afugentar
Na minha sina, pereço
Se és mais feliz sem mim,
Então vai, parte assim...
Foi bom ter-te conhecido,
Mesmo que acabe de coração partido!
Estaremos a transformar-nos em máquinas? Será que a sociedade com a sua ênfase nos "mercados" nas "mãos invisíveis", na "produtividade" na "eficácia", não nos assemelha cada vez mais a máquinas? E será que não foi o medir tudo em valor monetário que nos foi reduzindo cada vez mais em termos de humanidade? Mas o que é a vida sem amor? Fará sentido? No fundo é a busca por ir ao teu encontro, fim de todos os encontros que adivinharam. Não importa nada a vida, se se perdeu o coração... Estarei do teu lado, em qualquer lado, em que me encontre.
Sou como um vulcão!
Tanto quero amar,
Tanto amor para dar!
Deixar livre, correr paixão,
Que me sinto a rebentar!
Pobre do meu coração,
Que tanto se quer entregar!
E é tão triste não poder...
Ter assim que me conter.
Dizem que o que faço,
É ser devasso,
Comportamento aberrante,
Demasiado moderno!
Assim como é, é sufocante!
Eu que almejava ser eterno,
Agora aqui e neste isntante;
Vencido me declaro, que o mal vença!
Já que amor desmedido, não pode ser,
Não me faz diferença,
Não me importo de morrer...
Quem nunca se sentiu agarrado pelo amor, de uma forma tão violenta, tão urgente, que senti-lo apenas doeu? Às vezes o amor é assim, toma-nos de assalto, faz crescer a paixão até que o corpo inteiro nos doa na impossibildade de satisfazer o desejo. Não vale pena maldizê-lo. Ele não tem culpa, nem nós temos. É só que às vezes o tempo não encontra a oportunidade, como a inspiração às vezes bate, quando não temos a disposição de lhe dar fluxo. Ela tem de encontrar outro que a possa acolher. Fica um sabor amargo e doce... Outras estamos cheios de sol, e lá fora está a chover...
Era um velha carcaça
Sem brilho mais que baça
Na quietude de existir
Havias tu de surgir
Para me acordar
Fazer pensar
Que amar
Ainda era possível
Não há como fugir
Devia ter adivinhado
Que não era plausível
Estava encrustado
Na minha personalidade
De besta selvagem
Não daria felicidade
Com a menina de cidade
Mas persistimos em sonhar
Com a maravilhosa viagem
Que nos leva ao amor
Paraíso que queremos alcançar
Onde só resta dor
Porquê tentar?
Mas fomos na teimosia
Dessa busca da alegria
Perseguimos ilusões ,
Coleccionei frustrações .
Velho senil, que anda à toa.
Sonhando que a vida que não foi,
Pudesse agora tornar-se boa!
A frustração corroi,
Vai-se a sensatez.
(E já nem dói...)
E a oportunidade de ser feliz,
Não volta outra vez,
Independetemente de quem quis.
Em todos nós como diz a canção há lado negro. Um selvagem e brutal que às vezes nos surpreende a nós mesmos. O nosso lado animal. Confesso ter um problema. O lado negro da força que me puxa...Espelho isso em diversos poemas. Como se lida com isto?
Aceita-se e pronto? Ou encontras um sítio quente onde ficar e quais gatos, esperamos que nos acalmem com festas e acabemos ronronando?
Há um monstro que mora em mim,
E às vezes irrompe hirsuto,
Revela-se bruto assim!
É um lado escuro e tenebroso,
Que certamente não me faz orgulhoso.
Antes pelo contrário, traz receoso,
Temeroso de quando vai espilrar,
E desatar a fazer mal,
Levar-me a errar!
Chão de sal,
Onde nada pode crescer.
Verbo feito pra me arrepender.
Lado de mim maldito, irracional,
Que me lembra o meu lado animal!
Deixa que o domestique, faça serenar,
Para que nunca mais se corra o risco,
De se soltar, morder e magoar!
A ciência materialista não tem as respostas todas. Esgotou-se ao encontrar o bosão de Higgs e ao confirmar todo o modelo standard. A ciência não progride quando tudo encaixa, precisa de desafios para avançar. A ciência nunca conseguirá definir o amor... Mas não faz mal, o amor nunca precisou de definição para existir.
Em ciência, dar nomes não é saber
É mais exactidão, talvez rigor
Como andar não é viver
E desejar, não é amor
Definir, não basta para clarificar
É preciso acima de tudo pensar
Reflectir, de modo a progredir
Modestamente deixar-se ir
Ter disposição de aprender
Matematicamente equacionar
Observar é não apenas ver
Construir hipótese, argumentar
Mas que importa saber?
E o amor não se define
Não importa o que amofine
Nunca a ti vou ter...
Oh sim! Andar na vida, é subir ao mastro na tempestade e gritar em desafio!
Sejamos loucos, que apenas se morre uma vez! Chegar ao novo mundo, ou à terra prometida nunca foi fácil! Se queres conquistar o Paraíso o Universo tentará derrubar-te! Creio que ele acha que nunca o merecemos. Mas olha, se fores, não vás sózinho!
Chama, Encosta, Abraça, Amarra-te a mim! Para chegarmos os dois!
Quando tudo o que te enche for a solidão
E pensares que não vives em nenhum coração
Quando olhares e o teu olhar for vazio
E sentires que se escoa a tua vida feito um rio
Chama por mim! Chama por mim!
Quando andares aos tropeções
Na ressaca das passadas paixões
Pensando que não há lugar para ir
E que é agora que te vais deixar cair
Encosta-te a mim, encosta-te a mim!
Quando a vida te parecer dura
Sem afecto nem ternura
Todos os lugares feitos de nada
Companhia que te enfada
Abraça-te a mim! Abraça-te a mim!
E quando o horizonte ficar escuro
E já não te sentires seguro
Para que os vendavais da vida
Não te levem de vencida
Amarra-te a mim! Amarra-te a mim!
Mãos, delicado e forte instrumento no fim dos braços. Alcança, agarra, segura, toca. O que fazes com as tuas mãos? O que alcaçam elas? O que agarras? Quem a segura? Em quem tocas? Acaricias... Ou as tuas mãos estão despidas e vazias? O tempo escapa-se por entre os dedos como areia caindo... E ela vai-se...
...escrever o poema...
Seguro os meus dias
Nas minhas mãos vazias
Não são mais meus
Agora todos são teus
Diz-me se os queres
Irei por onde quiseres
Senão lança-os no fundo
Esquecidos do mundo
Sou filho de nenhum lugar
Pássaro, feito para voar
Pés presos no chão
Na vida, em contra-mão
Vem o meu nome chamar
Estender a tua mão tão doce
Quem dera que eu não fosse
Querer ser tudo por te amar
Sou em tudo contradição
Monte sereno e vulcão
Ando com pés de chumbo
Aqui aguardo o fim do mundo!