Ausência


Às vezes todos os caminhos, todas as escadas para o cimo ou os amparos, têm um sabor a sal... Um imenso mar salgado, que é sempre o teu destino. Onde amargas e tens frio, ou onde te afogas! Porquê o deslumbramento do horizonte há-de ter esse maléfico feitiço? Já não sei, já não quero saber... Queria apenas arrancar esta craca do meu peito, que o enche de uma saudade que dói.



Há os lugares cheios de ti
Ausência que me leva ao sufoco
Perfume teu que não esqueci
Saudade que me põe louco

Diz que não foste embora
E que é hoje e agora
Que o milagre vai acontecer
E o que devia tem de ser

Que o Universo se verga
E finalmente enxerga
A força deste amor
Que não merece dor

E não muda nada…
No jardim, a flor fenece,
Oportunidade uma vez dada
Dor que fica e não se esquece


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Niilismo





Às vezes os pés pesam-te como chumbo e queres ficar onde estás, não ir para nenhum lugar? E depois visitam-te as obrigações quotidianas, as responsabilidades que fomos acumulando com os anos? Uma espécie de bagagem, feita de memórias. Para alguns a medida do seu sucesso, para outros a medida da sua estagnação, dos sonhos que ficaram onde bate a rebentação, ou na espuma das ondas... Como diz o imortal Freddy Mercury, nessa imortal canção dos QUEEN, The Show Must Go On!


Quero lá saber
Tudo tem de morrer
Ou será que não?
Será eterna a paixão?
Areia que nos escapa nos dedos
Vento que nos despenteia o cabelo
E sim através de todos os medos
O amor - oh! o amor! - Ainda é belo!

Nestes ocasos quotidianos
Que alimentam o mar de enganos
Prosseguimos fingindo
E um dia tudo é findo
E não fingimos mais
Coisas tais
Que apagam o sentido
Que alguma vez tenha tido

A pantomina deve continuar
O truque é passar os genes adiante
Não importa nem amar
Basta ser amante
E haver um acidente
No mundo nova gente
O plano não é elaborado
É um destino, espécie de fado

Estou cansado
Pés que arrasto
Somos só passado
Vacas ruminantes
Em algum verde pasto
Passando por seres pensantes
Acabamos no mesmo talho
E às vezes fico sem resposta
À velha pergunta que me é posta:
-- Afinal o que é que eu valho?



Que as fortes músicas possam compensar o fraco poema.
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Chama


Onde andas que alguém precise chamar por ti? Onde te perdeste, que o céu azul tenha de te descobrir? E no entanto às vezes, andamos escondidos dos outros, porque temos medo do que somos. Coisas estranhas que se constroem, como castelos de nuvens que se desfazem no vento. Não sei quem és, mas se às vezes andaste escondido, devemos ter estado no mesmo lugar...

Devo passar por estes lugares desolados,
Velhos recantos que deviam ser apagados.
Lugares de mágoa e desencanto, onde caio.
Asa derrubada de um velho gaio

E já não sei nem lembro se fui,
Ou o que fui em tempos.
Caí, desmoronei e ruí,
Ao sabor dos ventos!

Visto estas vestes,
Tristeza e frustração,
São as minhas pestes,
A velha maldição!

E não aprendo do passado,
Angustia que me traz enredado,
Nas malhas do tempo ido,
E no fim acabo rendido.

Semblante esmorecido,
Não sei bem o que sou.
Talvez esteja adormecido!
Beija-me, chama-me, que eu vou…



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Desassossego



Já te sentiste vítima de ti próprio? Algo te inquieta e desassossega até à irritação e te leva à palavra errada, à conclusão errada, a um comportamento em que te procuras ferir, o mais próximo que se chega do suicídio. O que é isso? Donde vem? Porque surge? Sinal de frustração, de uma profunda que nasce na alma? A mesma dor que nos faz nascer? A culpa é dele, desse amor completamente alucinado...


No desassossego do que resta por dizer
Inquietude que se deita a crescer
Não sei o que se passa na tua ausência
Não tem muito de ciência
Nada de racional
Mas sinto-me mal
Uma angustia que não sei lidar
Sinto uma enorme saudade
Sinto fugir de mim a felicidade
Eu que apenas te queria amar!


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Cristal



Será que a expressão de que os diamantes são os melhores amigos da mulher, vem da ideia de que o amor pode cristalizar? Isto é, a materialização do amor podem ser os diamantes? Deve ser por isso que os apaixonados oferecem jóias às suas amadas, talvez tentem concretizar, materializar o amor num objecto. E tem vantagens...

Haverá entre os rios uma pedra
Diferente das demais que vês?
Encontro entre o bruto e a beleza,
Sem ter quem a fez,
Agarra a luz que medra,
Em brilho forte que atinge o olhar!
Será sorte, do sítio certo para estar?
Ou foi antes ela que te procurou,
E o brilho foi a voz com que te chamou,
Na esperança que a fosses agarrar?
Deslumbra-te na sua beleza,
Valiosa tem de ser, é uma certeza!
Não a deixes fugir,
Se ela sorrir
Agarra-a que tua,
Vai adiante!
E se não tens diamante,
Oferece-lhe a Lua!



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Não vires a mesa




Voluntariamente preso. Indefeso. Só. Já te sentiste assim? Quando o teu amor parte e te deixa nu. Em que tudo o que és, o que pensas que és, sofre na pergunta: Quem sou? E não sentes nenhuma redenção, nenhum Deus para te salvar? E se antes sofrias na presença, agora sofres na ausência. E se dantes eras optimista e positivo, agora o que sentes que és? Alguém no cais? O barco partiu...




Não vires a mesa, como se fosse o fim,
Como se não houvesse nenhuma solução!
Deixa-te ficar, fá-lo por ti, fá-lo por mim.
Escuta meu amor, o teu e o meu coração.

Há para nós uma luz acima, que faz crescer,
E umas raízes que nos prendem neste chão.
Mas sem ti, para que importa mais viver?
Por favor, se fores não vás sem mim, não!

Como as lágrimas são os oceanos salgados.
E barcos ligam margens, portos e cidades.
Sou marinheiro triste, de olhos molhados,
Ainda nem foste e já estou com saudades!

Adorava libertar-te, deixar-te voar!
Mas já não posso, sou eu aprisionado,
Nesta gaiola dourada, ouvir-te a cantar.
Mesmo preso, quero ficar a teu lado!


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O Moinho


Sentiste alguma vez que és apenas um grão? Um entre muitos e que não fazes realmente muita diferença? És mais um na roda do moinho que é a vida. E o teu destino é igual aos outros, seres também moído. Não importa para quê ou o porquê, neste moinho velho, que roda e roda, na vela que gira e volta a girar. Não é preciso sentido, apenas que gire...



Nascemos do prazer e da dor
É isso mesmo o amor
Crescemos em sabedoria
No passar de cada dia
Ilusão que demora a passar
Até que no fim
Quase ao chegar
Descobrimos que não é assim...

Descobrimos que a vida
É sómente um longo desmame
Quando está de partida
Não há quem se chame
A doce mãe ausente
O pai que partiu e deixou saudade
E agora se sente
Que a vida é só uma vaidade

Uma caminhada sem sentido
Inglório esforço de chegar
E ficou o oferecido
Esse lugar
O paraíso num abraço
O lugar que chamas casa
O abrigo sob a tua asa
A quimera prometida
Do amor ardente
Sempre perdida
Sempre ausente

Solitário caminho
Cinzenta chegada
Pobre moinho
Que não mói mais nada


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Abraço


Já sentiste essa necessidade de ser resgatado por uns braços que apertam o teu corpo como se tivesse medo que te dissipes e possas desaparecer dali?  E quantas vezes abraçaste alguém com a força de um naufrágo, porque estavas realmente a afogar-te? Ou das vezes em que um abraço é sinal de que estás em casa, na tua casa... Preciso...Não desistas...



Dás-me o lado áspero de ti
Para me desassossegar
Não sei depois porque fico aqui
Como se fosse natural
Sentir-me a naufragar
Este antigo mal
De te sentir
A me abandonar
Eu a ficar, tu a ir...
Não sei porquê assim
Não faz sentido
Se te sou tão querido
E eu quero-te sim
Para mim

Mas tu trazes o mar
No teu olhar
E ao invés de navegar
Sinto-me a mais
Lançado ao mar
Porque tu vais
Veleiro alto ao sabor do vento
Velas enfunadas
Vou perdendo o alento
Nestes pequenos nadas
Naufrago nas ondas altas
Afogo nas pequenas faltas
E onda enorme, o imenso mar
Para onde parti, e donde não sei voltar
Não sei bem o que fazer, ou o que faço
Mas sei ficava feliz, com um abraço!

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Saudade


Já sentiram essa dor doce de não terem perto quem está mais perto, juntinho ao coração? Uma dor que não nos larga, porque não a queremos largar? A dor e a alegria misturadas numa alma só, a que o génio lusitano concentrou numa palavra: saudade!
E há tantas formas de saudade... Esta é do coração.



Há um desassossego na alma branda.
Coisa como o silêncio após a tempestade.
Este caminho inquieto em que se anda,
Dor doce a que chamam de saudade!

As flores viram-se na tua direcção,
E os regatos murmuram o teu nome.
É um Sol que chamam de paixão,
Fogo ardendo que não se some!

Podem prometer-te a lua,
Tudo o que quiseres ser teu.
Sonho-te na minha cama nua,
Ser anjo, para que fiques no céu!

E se ouvires chorar as pedras do chão,
Olha à tua volta com atenção.
Porque não são as pedras não,
É por ti, a chorar, meu coração!




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Coração partido...


Acontece... Talvez fosse o excesso de velocidade da paixão louca, em contra-mão! Talvez esse desejo incendiário nunca concretizado, não sei... O cansaço? Uma impaciência feita de frustração, que leva a partir? E ficas assim vazio no cais, sem saber para onde vais a seguir, porque simplesmente não querias ir. E tudo te diz que chegou ao fim...ou não. Talvez nem devesse ter começado, se era para acabar assim. Ou então não é nada, apenas um pesadelo que desaparece ao acordar! Certo mesmo, é que dói essa sensação de coração partido...




O meu coração, ele partiu
Antes de eu me aperceber
Batendo louco, contigo fugiu
Mas não me deixou morrer

Nos teus olhos, foi levado
Nesse azul profundo e limpo
Extasiado, qual pássaro alado
Rumo a um qualquer Olimpo

Que pássaro sou eu,
para voar no teu céu?
A tua mão sacode
Quem me acode?

Estendo as minhas asas, negras essas,
Pensei ser anjo caído, cheio de promessas
Mas pelo meu grasnar, sou apenas corvo
Um tipo só, a mais entre o povo

E tu no teu charme singular
És promessa enorme que não mereço
Sou ave das bruxas, a afugentar
Na minha sina, pereço

Se és mais feliz sem mim,
Então vai, parte assim...
Foi bom ter-te conhecido,
Mesmo que acabe de coração partido!







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