NEGRUME


Em todos nós como diz a canção há lado negro. Um selvagem e brutal que às vezes nos surpreende a nós mesmos. O nosso lado animal. Confesso ter um problema. O lado negro da força que me puxa...Espelho isso em diversos poemas. Como se lida com isto?
Aceita-se e pronto? Ou encontras um sítio quente onde ficar e quais gatos, esperamos que nos acalmem com festas e acabemos ronronando?





Há um monstro que mora em mim,
E às vezes irrompe hirsuto,
Revela-se bruto assim!
É um lado escuro e tenebroso,
Que certamente não me faz orgulhoso.
Antes pelo contrário, traz receoso,
Temeroso de quando vai espilrar,
E desatar a fazer mal,
Levar-me a errar!
Chão de sal,
Onde nada pode crescer.
Verbo feito pra me arrepender.
Lado de mim maldito, irracional,
Que me lembra o meu lado animal!
Deixa que o domestique, faça serenar,
Para que nunca mais se corra o risco,
De se soltar, morder e magoar!

(veio daqui)





Dá-me as tuas fraquezas,
As tuas dúvidas e incertezas,
Os erros mais abjectos,
As tuas falhas inconfessáveis,
Os teus pecados mais secretos!

Dá-me a tua chuva intensa, pesada,
Os teus dias carregados e cinzentos.
Deixa-me espalhar a tua tristeza,
Lançá-la no ar, carregada nos ventos!

Dá-me as tuas coisas negras, doentias,
As pústulas, as feridas, as dores,
Os teus pesadelos, cheios de horrores,
Os teus arrepios, as febres frias!

Dá-me as telas loucas,
Pintadas na frustração,
Com o pincel da angústia,
A guiar-te a mão!

Serão o meu tesouro precioso,
Obras-primas do meu museu!
E quando estiver angustiado e furioso,
Quem se acalmará ao vê-las serei eu!

Prefiro andar perdido,
No meio da tua fraqueza,
Que entre a fúria dos dias;
Que lhes rouba a beleza!

Deixa-me ser teu anjo alado,
Designado pra te guardar,
Caído, para andar ao teu lado,
Para dar brilho ao teu olhar!

E será no AGORA, -- o usufruto,
Que crescerá um amor bruto,
Forte, poderoso e renascido,
Sentimento crescente e acrescido!

Voaremos como águias renascidas,
E em nós uma vida, serão vidas!
Quero seguir-te por onde vais,
Ir contigo, por dias nunca iguais!

É a tua fraqueza que o faz acontecer…
És para mim, fruto intenso, apetecido
Só nos teus braços, consigo adormecer,
Ronronar como um vulcão adormecido!
 (veio daqui)


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In...definição


A ciência materialista não tem as respostas todas. Esgotou-se ao encontrar o bosão de Higgs e ao confirmar todo o modelo standard. A ciência não progride quando tudo encaixa, precisa de desafios para avançar. A ciência nunca conseguirá definir o amor... Mas não faz mal, o amor nunca precisou de definição para existir.


Em ciência, dar nomes não é saber
É mais exactidão, talvez rigor
Como andar não é viver
E desejar, não é amor

Definir, não basta para clarificar
É preciso acima de tudo pensar
Reflectir, de modo a progredir
Modestamente deixar-se ir

Ter disposição de aprender
Matematicamente equacionar
Observar é não apenas ver
Construir hipótese, argumentar

Mas que importa saber?
E o amor não se define
Não importa o que amofine
Nunca a ti vou ter...


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A Caminho do Paraíso

Oh sim! Andar na vida, é subir ao mastro na tempestade e gritar em desafio!
Sejamos loucos, que apenas se morre uma vez! Chegar ao novo mundo, ou à terra prometida nunca foi fácil! Se queres conquistar o Paraíso o Universo tentará derrubar-te! Creio que ele acha que nunca o merecemos. Mas olha, se fores, não vás sózinho!
Chama, Encosta, Abraça, Amarra-te a mim! Para chegarmos os dois!


Quando tudo o que te enche for a solidão
E pensares que não vives em nenhum coração
Quando olhares e o teu olhar for vazio
E sentires que se escoa  a tua vida feito  um rio
Chama por mim! Chama por mim!

Quando andares aos tropeções
Na ressaca das passadas paixões
Pensando que não há lugar para ir
E que é agora que te vais deixar cair
Encosta-te a mim, encosta-te a mim!

Quando a vida te parecer dura
Sem afecto nem ternura
Todos os lugares feitos de nada
Companhia que te enfada
Abraça-te a mim! Abraça-te a mim!

E quando o horizonte ficar escuro
E já não te sentires seguro
Para que os vendavais da vida
Não te levem de vencida
Amarra-te a mim! Amarra-te a mim!


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Mãos

 
Mãos, delicado e forte instrumento no fim dos braços. Alcança, agarra, segura, toca. O que fazes com as tuas mãos? O que alcaçam elas? O que agarras? Quem a segura? Em quem tocas? Acaricias... Ou as tuas mãos estão despidas e vazias? O tempo escapa-se por entre os dedos como areia caindo... E ela vai-se...
...escrever o poema...
Seguro os meus dias
Nas minhas mãos vazias
Não são mais meus
Agora todos são teus

Diz-me se os queres
Irei por onde quiseres
Senão lança-os no fundo
Esquecidos do mundo

Sou filho de nenhum lugar
Pássaro, feito para voar
Pés presos no chão
Na vida, em contra-mão

Vem o meu nome chamar
Estender a tua mão tão doce
Quem dera que eu não fosse
Querer ser tudo por te amar

Sou em tudo contradição
Monte sereno e vulcão
Ando com pés de chumbo
Aqui aguardo o fim do mundo!

foi postado aqui


Pedro Abrunhosa é um grande poeta e tudo o que é grande inspira!
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Abraço, num cachecol...

Qual é a maior festa da vida? Alguns dizem que é a paternidade, mas como pode haver paternidade sem amor, sem pelo menos um pouco de paixão? Outros dizem que é a amizade, mas como pode haver amizade sem amor, amor fraternal? As alegrias desta vida, estão sempre relacionadas com relações, entre pessoas. E as relações felizes entre as pessoas, estão sempre relacionadas com o amor. Mas a maior das alegrias é o amor romântico. Às vezes um cheiro, um perfume, uma recordação...

Há música num sabor a festa
Canta em alegre sobressalto o coração
Sempre que o amor se manifesta
Como nesta platónica paixão
Denunciada em irriquieta respiração
Como quando se espevita o fogo com um fole
Fica só o perfume dela, no abraço do cachecol...

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O amor crucifica-me


Podia ser diferente... Mas não seria a mesma coisa! Sei que devia saber que o amor não quer saber dos amantes e quando os apanha torce-os com uma máquina-de-lavar até os embranquecer e purificar. O amor redime toda e qualquer vida. Transforma e transcende a pior das bestas, o mais selvagem dos animais... É por isso que os gatos apesar de arranharem, ronronam... Mas mim, marinheiro louco e apaixonado, o amor às vezes não me dá nenhum porto de abrigo...



Sou um marinheiro
E gostava de aportar
A maresia, o seu cheiro
Vontade de navegar

Queria do teu corpo fazer mar
Abrir vela, encher de vento
Queria ser teu e navegar
Teus olhos, estrelas no meu firmamento

E ao chegar a ti, ter-te toda num abraço,
Refugiar-me das tempestades, em teu regaço!
Ancorar nos teus lábios doces e macios
Deixar-me ser a água dos teus rios!

Mas… Há sempre uma nuvem negra carregada
Um gesto, ou uma palavra impensada
O fugir do furacão que chega veloz
O ficar magoado, perder a voz!

O amor crucifica-me quando me dou
Mostro o peito e vou às balas
Ela fez-me as malas
E eu vou…
 



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Errar!


Se alguma coisa pode afirmar com toda a certeza, foi que já errou! Certo? Se errei desta vez, eu sou humano, mas você o que será? Não adianta, se é humano já errou! Alguns até dizem que erramos ao nascer, o que até concordo, pois se soubéssemos para onde vimos, não teríamos vindo de jeito nenhum!
Alguns dizem que sim viríamos na mesma, movidos pela curiosidade. Sim essa que mata o gato e nos acaba por matar a nós...

Mas eu sei a questão é se está ou não errado...



Mas pelo menos um de nós não há-de estar errado...




Seja como for como é Estar Errado?

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Folhas


Oh eu sei... Caiem as folhas no Outono, cansadas de esperar por quem não prometeu. E vai-se o Sol amornecendo... Tem de ser, é o que se pensa! Faz parte do ciclo das chegadas e partidas. Das promessas e do que foi prometido. E não se falha porque se quer, mas tem de ser, que é a lei natural. E como nada se pode fazer, aceita-se. E arde no peito, nas saudades que ficam de um tempo feliz, primaveril. Talvez seja por isso que as folhas de outono são vermelhas... e caiem, caiem, caiem até despir a árvore.

Deixa-me seguir sózinho...
...e ainda outra vez, mesmo que mais veloz, mas só!
Ou talvez nem tanto...
Isso! Uma canção...




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Viajar


O sonho de viajar, fazer assim uma viagem longa, como embarcar no Expresso do Oriente e deixar-se ir, na descoberta de novos lugares e pessoas. No fundo somos só nós a redescobrirmo-nos. Quantas vezes não nos apeteceu partir numa aventura louca? Ou fazer um reset à nossa vida e começar tudo de novo? Mas isso às vezes é impossível, somos o que somos, porque temos sido. E não há volta. Fica a quadra...


Abrir as janelas da vida de par-em-par
Fazer partir o comboio do sonhar
E depois o quê? O que vem, o que fica?
Essa existência, que em passando nos mortifica!
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VOAR!


É preciso libertar para que haja vôo!
É uma luta para que a paixão não se transforme em posse.
É necessário estar disposto a perder para ganhar!
Há que passar pelo arape farpado do medo de perder. para depois ir colher rosas, os beijos nos lábios rubros d@ amante.
Tudo isso num poema...

E como não há poesia sem música, deixo-vos esta:



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